sábado, 16 de abril de 2016

Dicas de Saúde: No Dia Mundial da Voz, Drª. Emanuela fala sobre os cuidados que devemos tomar com a Voz.

Todo ser humano possui uma voz única que, além de mera ferramenta de comunicação, carrega traços de sua faixa etária, sexo, tipo físico, personalidade e estado emocional. Para alguns, no entanto, ela representa muito mais do que isso. Cantores, professores, atores, repórteres e outros profissionais têm na voz uma indispensável ferramenta de trabalho, e precisam estar atentos aos cuidados que devem adotar para não prejudicá-la. É claro que todo mundo deve se preservar.

Quem nunca saiu rouco do estádio após um jogo de futebol, ou de um show da sua banda favorita? Mas profissionais que utilizam a voz ficam sujeitos a deslizes comportamentais na propagação vocal com mais frequência. O som que produzimos vem do ar que expiramos dos pulmões. Simplificando o processo, esse ar passa pelas pregas vocais na laringe, que vibram e o transformam em pulsos sonoros. Quando existe um problema nas pregas vocais, essa vibração se torna defeituosa, o que é chamado de disfonia.

A maioria dos problemas é causada por desequilíbrios e abusos vocais, além do excessivo e mau uso da voz. As lesões mais recorrentes são o aparecimento de nódulos vocais, cistos intracordais, edemas e fendas glóticas. Quando estamos calados, as cordas vocais mantêm-se abertas. Quando falamos, o ar que se exala dos pulmões é forçado através das cordas vocais fechadas.

A profissão de cantor exige muito da voz, e de uma maneira diferente. Os movimentos do canto são sofisticados, precisos, e precisam ser controlados com perfeição. Para tanto, é necessária boa saúde vocal. A voz é um instrumento musical que anda, fala, tem depressão, chora. Isso tudo interfere. É importante que o cantor exercite sua voz com regularidade. Para alcançar notas muito agudas, por exemplo, utiliza-se uma musculatura que quase não é acionada no dia a dia vocal. Se isso é feito com muito esforço, sem treino, a pessoa pode acabar danificando suas pregas vocais.

Uma vez instalado o problema de voz e manifestadas às alterações – rouquidão constante, dor ou ardência na garganta, falta de ar ou cansaço ao falar, dificuldade para ser entendido, entre outras alterações –, o sujeito deve buscar um médico otorrinolaringologista, para realizar uma avaliação da laringe, e um fonoaudiólogo. Este é capaz de avaliar a voz, associar o diagnóstico do otorrino e tratar a alteração presente caso o problema seja decorrente do comportamento vocal inadequado.

O cantor Zé Sanfoneiro (do grupo Zé Sanfoneiro e Zé Filho), vêm sendo acompanhados pela Dra. Emanuela Alves no processo de reabilitação e potencialização das características e uso da voz, bem como Alex Pereira (do grupo Forró de Verdade) também já foi submetido a tratamento obtendo um excelente resultado. Durante o tratamento, algumas orientações sobre saúde vocal são fornecidas ao paciente com o intuito de promover mudanças em sua rotina. A hidratação é um exemplo. Um organismo bem hidratado propicia maior lubrificação da laringe, resultando em menor esforço à fonação.

A fonoaudióloga explica que isso vale para qualquer tipo de profissão que exige muito da voz, não só para cantores. O ideal é ingerir pelo menos dois litros de água por dia, esclarecendo que não adianta beber um monte de água logo antes do exercício profissional. Deve ser algo presente no cotidiano. O regime alimentar também é observado. Se mal balanceado, pode afetar a voz por causa da subida do suco gástrico para a laringe e a faringe, o chamado refluxo gastroesofágico. Quando ocorre, traz sintomas de laringite – rouquidão, pigarro, tosse seca, dor de garganta, entre outros. Deve-se evitar laticínios, chocolate, alimentos condimentados e gordurosos e café antes do uso profissional da voz. O fonoaudiólogo oferece ainda ao paciente exercícios para fortalecer a resistência vocal, que devem ser repetidos diariamente em casa. É importante ressaltar que as recomendações, embora gerais, devem ser individualizadas e adaptadas da maneira que couber a cada um. O importante é respeitar os limites de cada profissional, agir na direção de ganhar resistência muscular e vocal para que a disfonia dê lugar a uma voz equilibrada.

Emanuela Alves: Fonoaudióloga; Doutorada em Neurociência pela UFRN-RN; Especialista em Neonatologia pela UNIFOR-CE; Especialista Oncologia Fonoaudiológica pelo A.C.Camargo-SP.

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